quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Enraizados.


 
Hebreus 10.25: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”.

 

                Somos cada vez mais um pouco de tudo. Temos pouco tempo para muitas coisas, desejamos tudo imediata e simultaneamente. Esta questão nos conduz à superficialidade, inclusive na vida espiritual. Interessante observar a relação que o Salmo 1 faz sobre uma pessoa que tem seu prazer no Senhor, no verso 3, lemos: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”. A árvore depende da água para florescer, o que só acontece quando se cria raízes. Este aprofundamento, característico de uma raiz, se opõe fortemente à cultura da superficialidade, que poderia ser definida como ausente de frutos.

                Em sua Carta a Filemom, Paulo assim se expressa no verso 10: “... sim, solicito-te em favor de meu filho Onésimo, que gerei entre algemas”. O uso do verbo gerar revela o sentido de frutificar. Onésimo foi alcançado pelo evangelho de Cristo através do ministério de Paulo. Este é mais um “filho na fé”, alguém cuja vida foi transformada por Jesus e Paulo teve o privilégio de ser o mensageiro da Palavra. Este fruto resulta de uma fé enraizada e fundamentada nas Escrituras. Este é um processo natural da vida cristã. Uma pessoa vive o evangelho e prega com palavras e atitudes.

                Vamos lembrar que o fruto depende da água e da raiz. Em conversa com uma mulher da região de Samaria, Jesus afirmou: “... aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” – João 4.14.  A água oferecida por Cristo sacia a sede e nos faz ser uma fonte a jorrar. Sem Jesus há sede e sem água a gente morre. Uma relação superficial com Deus mantém pessoas sedentas e sem a possibilidade de frutificar. A ausência de frutos revela que não há raiz.

Em Hebreus 10.25, está escrito: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”. A orientação é objetiva e direta: estar em comunhão com Deus e com os irmãos é importante no processo do amadurecimento espiritual. O autor de Hebreus sinaliza que alguns, sem definir aqui os motivos, deixam de se reunir com os demais. Estes perdem a ideia de pertencimento, de compartilhar, de dividir, de cooperar uns com os outros. Ao nos congregarmos somos alimentados espiritualmente, nos unimos na adoração, clamamos ao Senhor, e, como registra Gálatas 6.2, levamos as cargas uns dos outros e, assim, cumprimos a lei de Cristo.
A Igreja de Jesus está no mundo, mas não obedece aos hábitos e costumes deste mundo. Estamos na contramão do que pode prejudicar a nossa fé. Precisamos lutar pela nossa saúde espiritual e buscar o fortalecimento na caminhada com Jesus. Ao nos congregarmos na igreja cumprimos o querer do Senhor Jesus, afinal nos reunimos em Seu nome. A assiduidade e regularidade nos cultos e o fervor com que lidamos com esse tempo poderá ser refletido num cristianismo enraizado e cheio de frutos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O perigo do "igrejismo".


 

Mateus 16.24: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”.

 

                Uma recente pesquisa aponta um número impressionante de evangélicos nominais. Um termo antigo, mas que era anteriormente somente aplicado ao catolicismo, faz agora parte do universo de milhares de pessoas que passaram a ter uma relação pontual com a Igreja. Estes frequentam a comunidade no máximo uma vez por mês, em alguns casos passam meses e até anos sem fazer parte de um culto, mas fazem questão de casar e batizar seus filhos seguindo a tradição cristã.

                Numa outra linha estão os que sofrem de “igrejismo”. Defino este grupo como aqueles que aderiram ao movimento religioso, à comunidade, a um grupo dentro do grupo, ao líder, a amigos, mas jamais tiveram um encontro real e verdadeiro com Jesus. Evidências desta enfermidade estão em uma ausência de intimidade com Deus, de leitura bíblica, de vida de oração e desejo de servir. O “igrejista” está presente em diversas atividades e pensa que isso basta para assegurar uma vida espiritual saudável. Há uma confusão de bem estar com alegria do Senhor. Para este, o teto da vida espiritual é a igreja, não o Senhor da Igreja.

                O combate ao “igrejismo” deve ser feito veementemente. Tudo começa numa análise séria, profunda e pessoal. Cada um precisa avaliar a sua relação com Deus e com a Igreja. Enquanto os evangélicos nominais vão aos cultos ocasionalmente e os “igrejistas” são mais frequentes, um e outro são sem conteúdo e a fragilidade espiritual se revela nas horas de crise.

                Vamos ao ponto: a assiduidade aos cultos é privilégio e responsabilidade de cada cristão nascido de novo. É uma honra cultuar a Deus e celebrar com alegria em sua presença. A Igreja foi instituída por Jesus e desde os primeiros cristãos há reuniões regulares dominicais, o dia da ressurreição do Senhor. Enquanto evangélicos nominais têm seus nomes nos róis de membros, mas não tem uma relação de intimidade com a comunidade, os cristãos tem prazer em frequentar as reuniões e vão com o propósito central de oferecer a Deus um culto, junto a outros que passaram pela mesma experiência transformadora. Se os “igrejistas” são frequentes aos cultos, falta a eles levar os cultos para a casa, ou seja, viver uma vida cristã também fora do ambiente eclesiástico. Este assunto é longo, mas quero apenas provocar uma reflexão sobre o assunto de seguir a Jesus. Alguns seguem a cultura religiosa, outros seguem pessoas ou grupos, mas o cristianismo prevê que Jesus seja seguido. Em conversa com seus primeiros seguidores, no texto de Mateus 16.24, o Mestre afirma: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. Ao contrastar este texto com nominais e “igrejistas” fica estabelecida uma distância. O fato é, pela graça de Deus, que somos convidados pelo Senhor para uma caminhada séria, responsável e coerente, com Jesus, na simplicidade proposta pelo evangelho. Vamos seguir o Mestre!

segunda-feira, 30 de abril de 2012


O amor e o próximo.

“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” Lucas 10:27

A essência do “amor ao próximo” está significada de forma simples e objetiva na identificação do “que” e do “a quem”. O amor, o “que”, é visto na Bíblia como uma entrega integral. Longe da ideia romântica que atribuiu ser o amor um sinônimo de sentimento, a Palavra nos revela o amor como uma atitude. Em Mateus 5.44 lemos: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus”. O jeito cristão de entender o amor fica explícito quando o assunto é amar um inimigo. Não há música lenta capaz de amenizar a dificuldade natural de amar a alguém que nos faz mal, persegue, irrita, cria armadilhas e ciladas para nos prejudicar. O natural é não amar os nossos inimigos. O sobrenatural, que não acontece sem a ajuda do Espírito Santo, é, apesar de todas as coisas, resolver amar um inimigo. Portanto, o amor não depende do ofensor, do que me maltrata, assim como independe da ofensa. O amor vence os dois obstáculos, apesar de caríssimos.  

A segunda parte é a definição de “próximo”. Nos dias de Jesus, um Doutor da Lei fez uma importante pergunta: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Infelizmente, a intenção não era pura, mas intentava pegar o Mestre em alguma falta para argumentar contrariamente. Cristo devolveu a ele a pergunta: “E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás”. Percebendo que seu objetivo, de criar dificuldades a Cristo, não havia logrado êxito, em Lucas 10.19, o religioso assim reage: “Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?” A resposta foi a Parábola do Samaritano, texto que mostra o amor vivenciado e a definição de quem é o próximo. Ao final, a fim de que não pairasse dúvidas, no verso 37, o religioso responde a sua própria pergunta, agora feita por Jesus: “E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.”

Na dúvida do religioso há uma prática habitual. A definição de “próximo” pode ser bem diferente quando o ponto de vista sou eu, e não o outro. Elegemos pessoas ou causas e as colocamos no patamar do nosso “próximo”. Em geral é algo que nos faz bem, que produz uma sensação boa, de dever cumprido. Para outros é um exercício desenfreado para amenizar uma culpa e até uma tentativa frustrada de adquirir benefícios espirituais. O médico suíço Albert Schweitzer, que dedicou sua vida ao próximo, disse: “a ideia chave do bem consiste em conservar a vida, desenvolvê-la e elevá-la ao mais alto valor; o mal consiste em destruir a vida, prejudicá-la e impedir que se desenvolva plenamente; este é o princípio necessário, universal e absoluto da ética”. Em outra ocasião ele afirmou: ”o que precisamos não é de missionários que queiram converter os africanos (onde ele viveu cuidando dos hansenianos), mas de pessoas dispostas a fazer aos pobres o que deve ser feito, se é que o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuem algum valor. Minha vida não está nem na arte nem na ciência mas em ser um simples ser humano que no espírito de Jesus faz algo por insignificante que seja”.

O caminho é este. O cristianismo nos desafia a viver intensamente o amor e o próximo, sem buscar os holofotes, mas tudo fazendo para a glória de Deus.

Jr Vargas

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Você é salvo pelo que você faz?

Paulo sintetiza o caminho da justificação: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” – Romanos 5.1.
§   Na obra “Dinâmicas da Vida Espiritual”, Richard Lovelace aponta uma incoerência recorrente no meio cristão. Ele afirma:
§  “Apenas uma pequena parte dos que se dizem Cristãos estão de fato apropriando a obra justificadora de Cristo em suas vidas. Muitos têm uma compreensão tão superficial da santidade de Deus e do tamanho de sua culpa que tem dificuldade de entender sua necessidade de justificação. Outros tem um compromisso teórico com essa doutrina (de justificação através da justiça imputada de Cristo), mas em sua existência dia-a-dia confiam em sua justificação pela sua santificação, de forma Agostiniana, derivando sua segurança de serem aceitos por Deus do fato de sua sinceridade, sua experiência de conversão, de seu desempenho religioso, ou do fato que estão cada vez menos pecando de forma consciente”.
§   O que se combate aqui é o entendimento de que nosso esforço pessoal produzirá em nós mérito suficiente para nos apresentarmos diante de Deus, o seja, combate-se a justificação pelas obras.
§   Paulo, embora extremamente zeloso no cumprimento dos preceitos farisaicos, descobriu um poder na graça jamais comparado a força da Lei. O foco de sua salvação deixa de estar naquilo que ele faz para pousar altaneiramente naquilo que Deus faz.

sábado, 29 de outubro de 2011

Viver pela fé!

Não se inquiete, não se preocupe, não fique ansioso – confie plenamente, integralmente, totalmente em Deus – porque Ele sabe exatamente do que você precisa.
Mesmo se as questões vitais para o ser humano desaparecerem, ainda assim a confiança em Deus nos manterá de pé. Aprendo muito, todos os dias, com a A oração de Habacuque 3.17 a 19:
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente”.
Hoje é dia de crer e pela fé viver!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

E SE?

Pedro, um dos mais atuantes discípulos de Cristo, se visto apenas no momento em que traiu Jesus, poderia se visto como um repugnante exemplar da raça humana, capaz de estar bem próximo de Deus e, posteriormente agir de forma dissimulada.
Elias, um dos mais combativos profetas do Antigo Testamento, se analisado somente na fase que pediu a morte e buscou se esconder da humanidade, embora tenha sido ricamente usado pelo Senhor quando enfrentou os profetas de baal no Monte Carmelo, poderia ser interpretado como um homem sem fibra e sem uma fé atuante.
Paulo, o apóstolo dos gentios, personagem de uma das mais lindas conversões registradas na Bíblia, se observado unicamente no episódio em que cuidava das vestes do Diácono Estevão quando este morria apedrejado, poderia ser tido como um assassino cruel e frio.
Pela graça de Deus, do ponto de vista divino, a nossa vida é um conjunto de cenas, que somadas produzem a nossa história. Vivemos períodos complicados e ruins quando longe do Senhor. O resultado desse tempo são cenas marcadas pelo pecado, que produziram tristeza, aflição e muita dor. Se pudéssemos arrancaríamos essas cenas da nossa história. Assim se revela a misericórdia de Deus. Apesar de tudo isso e por causa do seu grande amor, somos cuidados por Deus de uma forma generosa e cheia de vida. Em Deus podemos ver novas cenas sendo vividas e uma maravilhosa alegria contagiar nossa existência a ponto de querermos viver longamente novas e poderosas experiências com o Senhor.
Duas lições simples: 1) Assim como o Senhor não toma as cenas da minha vida como se fosse o filme todo, assim devo agir com as demais pessoas. Há sempre uma nova chance de ver outras cenas nas pessoas. 2) Há esperança para os que já viveram cenas deploráveis e que gostariam muito que tudo fosse apagado. O Senhor nos dá HOJE uma oportunidade especial de começar um novo filme. Comece fazendo uma breve oração: “Senhor, reconheço que já protagonizei cenas que gostaria que jamais tivessem acontecido. Peço perdão e ajuda ao Senhor. Quero agir com simplicidade e obediência, indo sempre após o Senhor. Em nome de Jesus. Amém!” Vamos caminhar juntos, pela fé e para glória de Deus, seguindo Jesus!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A cena do filme.

Seria cruel e simplista dizer que somos o que falamos. Seria apenas um retrato ou uma cena de um filme. Contudo, não são as partes que nos ajudam a entender o filme todo? Não são as cenas da vida que nos revelam que tipo de vida nós vivemos? Estas partes ou cenas da vida devem ser detalhadamente analisadas em um processo que nos permita reconhecer erros, identificar soluções e melhorar sempre.